
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
SARAU DO LABORATÓRIO (XXII)
SEM MEDIDA
O quanto isto dista
daquilo lá?
A distância da ânsia
do esperar.
O longe é perto quando é certo
o destino.
Mas perto demora na hora
do desatino.
Não é a escala que fala
a dimensão,
nem o metro dá ao certo
a medida.
É o que se sente de repente
na paixão,
e que se mede na lágrima
vertida...
CÉSAR VENEZIANI
O quanto isto dista
daquilo lá?
A distância da ânsia
do esperar.
O longe é perto quando é certo
o destino.
Mas perto demora na hora
do desatino.
Não é a escala que fala
a dimensão,
nem o metro dá ao certo
a medida.
É o que se sente de repente
na paixão,
e que se mede na lágrima
vertida...
CÉSAR VENEZIANI
domingo, 12 de setembro de 2010
SARAU DO LABORATÓRIO (XXI)
YÈYÉ OMO EJÁ
Yèyé Soba jimí
acorda-me no sono das profundezas tuas
com teus cabelos azuis de céu
com tua pele crespa de sal
com teus mundos náufragos
teu rigor líquido
e a justeza oscilante tão tua
Yèyé Iya Masemale jimí
acorda-me em tua geoconformidade pluri-ventral
com teu perfume de origem
exalando segredo antigo
com teus mil umbigos de imagens planetárias
ìdódò e os úteros de Gaia
linguagens impossíveis dos mundos teus
Yèyé Iyemoyo jimí
acorda-me no centro múltiplo do teu corpo galáctico
em teus braços con(fins) gelados infinitos
com a grafia-hidro-errática tua
a descrever ondas graves na voz de Netuno
Yèyé Akurá jimí
acorda-me com teus cemitérios flutuantes
teus mistérios impenetráveis de água turva
e a imensa vulva de algas avessas
do teu lodo cristalino
Yèyé Maleleo jimí
e ejá e irun e dígí jimí
acorda-me com tua música revolta e calma
e o sal azul nas veias largas
das memórias correntes livres
nas brânquias horas dos tempos teus
com tuas guelras em cavalos
e dentes marinhos
Yèyé Oyo jimí
e ilú e òkun e ohùn jimí
acorda-me na placenta impaciente
ao som do adjá o baú de Oxossi
reflexo sideral da tua sede impossível
Yèyé omo ejá : mãe cujos filhos são peixes
Jimi: acorda-me
Eja: peixe
Ìdódò: umbigo
Cabelo: irun
Ìlù: tambor
Dígí: espelho
Òkun: mar
Ohùn: voz
SÍLVIA NOGUEIRA
Yèyé Soba jimí
acorda-me no sono das profundezas tuas
com teus cabelos azuis de céu
com tua pele crespa de sal
com teus mundos náufragos
teu rigor líquido
e a justeza oscilante tão tua
Yèyé Iya Masemale jimí
acorda-me em tua geoconformidade pluri-ventral
com teu perfume de origem
exalando segredo antigo
com teus mil umbigos de imagens planetárias
ìdódò e os úteros de Gaia
linguagens impossíveis dos mundos teus
Yèyé Iyemoyo jimí
acorda-me no centro múltiplo do teu corpo galáctico
em teus braços con(fins) gelados infinitos
com a grafia-hidro-errática tua
a descrever ondas graves na voz de Netuno
Yèyé Akurá jimí
acorda-me com teus cemitérios flutuantes
teus mistérios impenetráveis de água turva
e a imensa vulva de algas avessas
do teu lodo cristalino
Yèyé Maleleo jimí
e ejá e irun e dígí jimí
acorda-me com tua música revolta e calma
e o sal azul nas veias largas
das memórias correntes livres
nas brânquias horas dos tempos teus
com tuas guelras em cavalos
e dentes marinhos
Yèyé Oyo jimí
e ilú e òkun e ohùn jimí
acorda-me na placenta impaciente
ao som do adjá o baú de Oxossi
reflexo sideral da tua sede impossível
Yèyé omo ejá : mãe cujos filhos são peixes
Jimi: acorda-me
Eja: peixe
Ìdódò: umbigo
Cabelo: irun
Ìlù: tambor
Dígí: espelho
Òkun: mar
Ohùn: voz
SÍLVIA NOGUEIRA
SARAU DO LABORATÓRIO (XX)
Detrás
de toda a densidade
de seu peso e profundidade
há algo sempre a fluir,
vago e vagaroso
esquecido de seu tempo
amoldado em forma e jeito
num eterno inexistir.
CELSO VEGRO
Nuvens suspensas
Entrecorte de raios
Secas, as folhas
Dançam disformes
Caem e repousam
Na boca úmida do chão
MARCELA CIVIDANES
de toda a densidade
de seu peso e profundidade
há algo sempre a fluir,
vago e vagaroso
esquecido de seu tempo
amoldado em forma e jeito
num eterno inexistir.
CELSO VEGRO
Nuvens suspensas
Entrecorte de raios
Secas, as folhas
Dançam disformes
Caem e repousam
Na boca úmida do chão
MARCELA CIVIDANES
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
BIBLIOGRAFIA GERAL DO CURSO
CAMPOS, Augusto de. Verso Reverso Controverso. São Paulo, ed. Perspectiva, 1978.
CAMPOS, Geir. Pequeno dicionário de arte poética. São Paulo, ed. Cultrix, 1978.
MAIAKOVSKI, Vladimir. Como escrever versos?, In A Poética de Maiakovski. São Paulo, ed. Perspectiva, coleção Debates, 1971.
PAZ, Octavio. Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 1996 (ensaio Stéphane Mallarmé: o soneto em ix).
PIGNATARI, Décio. Comunicação Poética. São Paulo, Editora Morais, 1981.
POE, Edgar Allan. Filosofia da Composição, in Ficção completa, poesia e ensaios. São Paulo, ed. Nova Aguilar, 1986
POUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo, ed. Cultrix, 1978
POUND, Ezra. Arte da Poesia. São Paulo, ed. Cultrix, 1995
WILSON, Edmund. O Castelo de Axel. São Paulo, ed. Cultrix, 1993
CAMPOS, Geir. Pequeno dicionário de arte poética. São Paulo, ed. Cultrix, 1978.
MAIAKOVSKI, Vladimir. Como escrever versos?, In A Poética de Maiakovski. São Paulo, ed. Perspectiva, coleção Debates, 1971.
PAZ, Octavio. Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 1996 (ensaio Stéphane Mallarmé: o soneto em ix).
PIGNATARI, Décio. Comunicação Poética. São Paulo, Editora Morais, 1981.
POE, Edgar Allan. Filosofia da Composição, in Ficção completa, poesia e ensaios. São Paulo, ed. Nova Aguilar, 1986
POUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo, ed. Cultrix, 1978
POUND, Ezra. Arte da Poesia. São Paulo, ed. Cultrix, 1995
WILSON, Edmund. O Castelo de Axel. São Paulo, ed. Cultrix, 1993
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