sábado, 20 de julho de 2013

Grand Canyon O Grande Desconhecido



O grande desconhecido salta aos olhos

da flor e ante folha

maior estrangeiro de todas as partes
maior cinza que a fogueira de gelo expande

estranho pináculo tateia
os retalhos do plano

e na verdura corada da montanha

num frio fino
arboresce
sem familiaridade
a nervura

qual larvas de aranha
das bananas nos engradados

que muda e muda

o alinhavo do atalho das tarântulas
lanho urticante
alinha em dégradé

então floresce

pérgola traçada onde núvens
são transportadas em grades

névoas e névoas

para que aurora apague as sombras
da arquitetura da noite

(Poema de Maria Célia Abila)


noite loba afasta suas tetas das bocas dos meninos órficos, tristes doses desabam babel, caras de Goya recortam o escuro acrílico, o palco agora é um império deserto, apenas feitiço holográfico de Billie Holiday assombra o pico = BELIZ= encolhe-se num canto coroado de orquídeas, sua tristeza é uma teia de sangue correndo nos subterrâneos da derme, a juventude lhe escapa pelas garras do suspiro, blecaute, bang-bang.



= CORAÇÃO CARNE CRUA=

babilônicas bandejas carregadas do pó das galáxias, lobo silêncio se abre em abismo fosso, leque de corpos kilemanjaros , letárgicos meninos da noite incendiária, gangster`s cinquentões e suas quarenta e cinco carregadas de balas de prata, bocas esfinges, cães de Hécate, coração carne crua, acompanhantes de luxo não brindam catuaba em copos de plástico baby.


(Fragmentos de Guilherme Junqueira)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Marcha Fúnebre










             I
               
Pensamentos fósseis


Cortejam desejos esqueléticos


             II

Sombras de húmus bailam


Sobre os ossos do dia que se vai


              III

Máscara de silêncio para a noite


Que chega com leões dourados


               IV
                     
A vértebra do horizonte cinza


Rompida pela insensatez


                V

Crânios da virtude exumada


Pela pélvis da verdade


                VI

A finitude está infiltrada:


Na célula de toda escrita


E no átomo do texto senil


(Poema de Charles Gentil)


O Apocalipse do Scrum

















Flexion

Primeiras linhas do rugby
Os sindicatos da placagem
E onde menos altura que largura
Onde tanta quilogramagem
Quanta musculatura

Touché

Números 1 2 e 3 às costas
Pilares de carne de pescoço e osso
Contra pilares de osso duro
Duro de roer e carne
Talonador versus talonador

Stop

Frente a frente dois trios
Ou dois trios frente a frente
Um polinésio e um caucasiano
Pois aquele de tonganeses
E este de georgianos

Entré

Prontos para o colapso
Cabeças ombros braços troncos
Quais dentes de rodas d’engrenagem
Uns por entre os outros a
Ruir ao se endentarem

(Poema de Fabrício Slaviero)

Éter















Éolo
segreda o vento
em plena
aurora boreal
fantasia
cores ondulatórias
bolina o horizonte
afair magnético

(Poema de Shirleide Valença de Lima)

Foto: Rio Negro, AM – Christian Dimitrius