quinta-feira, 18 de junho de 2009

GALERIA: PAUL ÉLUARD


SARAU DO LABORATÓRIO (VII)


LA TIERRA SIN MADRE
(fragmento inicial)

resta o pó


seu olhar negro
semblante
sem brilho


era com-


-o cimento
pesa o
conhecimento
pesava


agora é como
cão sem peixes
signo inexist
ente ao mar


e mais outros cem peixes ao fundo
multiplicando-se para além do pó


(...)


semblante negro
cem peixes
sem madre


bem dito o pó da notícia
inda vem a perícia

benditas
pérolas,
oro só:
hosana!


(Fragmentos do poema La tierra sin madre, de Sílvia Nogueira)

GALERIA: ANDRÉ BRETON


quinta-feira, 11 de junho de 2009

SARAU DO LABORATÓRIO (VI)

Não me olhes com olhos de ontem. Não será possível nenhuma ponte entre nós. Olhe-me hoje, façamos um vocabulário do sol claro na janela, da noite que passamos solitários e que sustenta esta vontade de olhar.


* * *

Um salto por vez. Nunca o fatal.
Vivo para o preparo de uma refeição que nunca será comungada.
A eucaristia final é terrível, não pode ser praticada.


* * *

Festejar seus mortos: tarefa que só os vivos podem fazer. Morte e vida, nada mais que revoluções internas.


(Três poemas de Angela Castelo Branco, do livro Orações.)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PRÓXIMA AULA, 20 DE JUNHO

Caros, na última aula, nós conversamos sobre O Lance de Dados e o Livro inacabado, de Mallarmé. No próximo dia 13, não haverá aula, pois estarei no Rio de Janeiro, participando do evento Artimanhas Poéticas. Voltaremos a nos encontrar no dia 20, para fazermos a leitura e discussão dos poemas produzidos por vocês, que no segundo semestre serão publicados numa plaquete produzida pelo próprio Ateliê do Centro. E vamos organizar também um recital, para o lançamento, por isso, mãos à obra!!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

SARAU DO LABORATÓRIO (V)

BALLAD OF SAD CAFÉ

I

Eros e Tanatos.
Dizem que dançam
fox-trot desde que
o sol deitou sobre
o mar de Mykonos:
Fiat lux.

Então, querido, antes
que chicotes floresçam
na palma das mãos
e a mágoa apodreça o ar
Antes ainda da pena,
do desgosto, das línguas de fogo
antes que restem somente
assobios, olhares de chumbo
Que os vagalhões se
suicidem na areia.

II

Não. Beijo, mordo
nos flancos, injeto
primaveras no peito:
E.V.
O músculo entoará
cânticos - lírios -
mezzo-soprano.
Sabe: não embarco
naquele trem.

III

Os amores mais brilhantes
apagam. O sol de maio
impõe suplícios. Torturas,
amarras, ataduras.
Cicatrizes jamais lacradas:
Xanax.

IV

Beijo.
O universo perece. Sei.
Escravizo espíritos:
Assim.

(Poema de Carol Marossi)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

SARAU DO LABORATÓRIO (IV)

ARGILA

Amassa a fábula
a água clara
sujas as mãos
os dedos molhados
em signos
o quebra-cabeça
ensina

A massa, a estátua
no fluxo a textura
repassa a figura
o formato charada
gratifica ações
brincam os
enigmas

A massa na graça
a ideologia na peça
cria a modelagem
alegrias, emblemas
a lua vigia
a estrela na lida
o sol se põe
elucida

(Poema de Laura Helena Sodré Ribeiro Torres)