quinta-feira, 22 de março de 2012










Madeirismo; Afetação lenhosa: eis o que caracteriza um arque-

típico Xilólatra (— mas não o seria, também, todo “e qualquer”

Silvícola, iconódulo de Totens de Pau-Pindorama? —), a ostentar

barroquíssima sua invulgar Coleção de Gnomos de Acaju (— cujo

magnífico “aka” {also know as} é Mogno —). Mas ouçamos o im-

próprio, — todo o sempre imbuído, ou em seus empenados

Pares

de meros Canelões de Imbuia, ou em pra lá de ímpares suas

inú-

meras Tábuas de Itaúba: — aqui, quando não se tem Carvalho-

-Roble pra caramba, tem-se ao menos, e isso — como diziam os

Arcaicos — “nam é poico”, Cambará-Rosa pra caralho!

(Poema de Fabricio Slaviero)

quarta-feira, 21 de março de 2012










PERTURBANTE

Perturbante
é a insondável fisionomia
dessa pacata multidão.
Dilacerada,
vai entre miséria e grandeza,
produz sósias no coletivo,
rouba alma e destino
(obstinada negação)
do EU – estrangeiro absoluto:
desiderato em eterno desespero
de desfrute involuntário
diante do infinito.
(Poema de Celso Vegro)










GNOMO OU SER ÍGNEO


Quando o nove é atributo

do quatro submerso,

o número descrito é frio,

não há espírito ou reflexo

mas crença na natureza.


A palavra entoa e refresca

a caverna acantoada,

nove ou seis (animalesco),

onde rio e sua lei

transportam estrela assombrosa

incontáveis vezes.

Homem nascido do verde

dialoga com água e grafismo.


Sombras de pêndulo ou forquilha

atiram as pedras em ângulos;

invertem sonâmbulo nome

em venerada era,

seis ou nove,

gnomo ou ser ígneo;

espelho em jardim de espera.

(poema de Célia Abila)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

SARAU DO LABORATÓRIO (XXXIII)

Sou várias, de outros mundos
A descobrir a maresia do tempo
Desse outro amanhecer
Dessa outra ciência

Aqui, reitero a solidão
Espalhando o vinho tinto
Nos ossos, na carne.

* * *

O piscar reflete a íris que me encara
E em seu brilho não temo
Os ventos vindos de outros mares
Mas acolho o céu livre
Quadro-negro profundo
Onde estrelas rabiscam o infinito

(Poemas de Marcela Cividanes)


CÔNICO COLAR

Cônico Colar
de Plástico — para
o Bichano, um Estraga-
-Prazeres — como
que a Anular
o — Não pequeno —
Potencial enquanto Lixa
(Septuagésimo Sétimo
Grão) da Língua Gatal
que vive a deixar, de
Tanto Poli-la, uma
sua Informe Chaga, ou Ferida,
em (Felina) Carne Viva


PARES DE OLHOS MÍOPES

Pares de Olhos Míopes (com algum
Grau d’Astigmatismo) nos Lances
de uma Catarática Escadaria cujos
Degraus e Corrimãos em Glaucos
Matizes e, — quiçá Matosos —, Tons

(Poemas de Fabrício Slaviero)


SEM GRIFOS

Piso aturdido a grafia
alinhada e sem grifos
ou espaços em branco
linha reta que me habita

adentro trilha estreita
desalinhada no tempo
desconfiguro-me e renovo
ao atalho atrevo-me a atritos

Em roto asfalto e cascalho
tempo mede o tempo e detona-se
passado e futuro conectam-se
por cones de luz invertidos

O presente é efêmero
inútil lamentar
o tempo lateja
no teclado da esfera

(Poema de Maria Alice de Vasconcelos)


DERRADEIRO

Descrente daquelas coisas desajeitadas,
ainda refém de amolecidos princípios
crias de um quando não desencantado,
____________________ sucumbi...



Tombado sobre recanto malsinado,
devorador de meus passos exauridos
sobram franjas de mim alquebradas,
_____________________zumbridas...

(Poema de Celso Vegro)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SARAU DO LABORATÓRIO (XXXII)

Ao ritmo do vento
as árvores dançam
espalham sementes

Sol queimando
e o vento esfria
os pensamentos

O Lago verde
reflete a garça
engolindo peixe

Ao meio dia, juntos
a sombra e o corpo
se unem bem justos

A via Láctea
pisca na escuridão
aqui, pingos no chão

As sombras
escondem as caras
de sapos e rãs

A meia noite meia
nada, nada faz ruídos
nem moscas nem grilos

(Haicais de Carlos Bueno)

SARAU DO LABORATÓRIO (XXXI)


FLORA

Dono e cão
dorso
peito
pelos
cabeça com dentes afiados
fome e sede.

O olho do bicho aflora na alma um silêncio profundo,
do algo além
centro do húmus
sujo limpo.
Feridas recompus.


(Poema de Cristina Mira)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

SARAU DO LABORATÓRIO (XXX)


Uma
O jardim a dois metros do chão
Ele, largo de ar
Água morta

Uma
A comichão de estrelas
Afirmam que não
Anafilático

Uma
O sol cacto
Próprios desconcertantes
Iridescentes planos

Uma
De sórdida borboleta
Lembremos
Afirmam que não

(Poema de Luiz Ariston)


CERRADO

Migra a gramínia
de um lado
a outro,
trepida
besouro
no arado;
tateia secura
em tapete
de palha,
encerra
sempre-viva;
migra
fogo-apagou
altaneiro.

Mira cultura,
terra de oceano
branco
rateia vida
degradada,
migra
mimoso
pepalanto
em fartura
braquiária;
não o solo pobre
mas (cobre)
cerrado
em pasto.

CHÃO DE ESTRELAS

Em lençol de ondas
do lago sem vento;
de seres albinos, bagres cegos,
arfando e farejando guano.

Em recife diamantino
flor dentro da bolha;
de cristal em espiral
jardim de aragonita.

Em labirinto de coral,
circula a gruta e trilha a pista
do”Jardineiro Artista”
carona em fio de Ariadne,
visão da Coroa Boreal.

Lio, liame de estrelas brilhantes,
turbilhão de ungüentos ventos,
feixe astral que une e envia
um sopro glacial
no rosto do viajante.

(Poemas de Célia Abila)


FOGO

O fogo não queima de maneira uniforme. Ser desigual é da sua essência. Antes as pregas das coisas, a carne da madeira, seu suco, que ferve de prazer.

Chamas cegam. Xamãs dos templos de um outro fogo no qual arderei, pelo pouco que ardi, nesta vida sensata.

Faço fogo. Faço fé na vida, em seus chamados, no calor das vergonhas, porque é lá, no inferno, que ela queima impura, infiel, inadequada.

Ateio fogo às minhas vestes. Só assim herdarei o reino dos meus. Queimando aqui e agora, de amor e de culpas, lhe asseguro: o azul dos céus pertence aos pássaros e aos desencarnados. Já reparou como os homens descem rápido das alturas? Pesa neles o peso das coisas que devem arder.

Os homens nasceram para queimar, lenta e gradualmente, pelas suas próprias pregas e prendas, conforme suas carnes requeiram. Deus não nos quer elevados como anjos.
Tudo a seu tempo. Não queimo etapas. Queimo-me primeiro.

(Poema de Sandro Capestrani)


Aço Duro é fechar
a Cromada Matraca
da Fechadura Bico-
de-Psitáceo que {sim!}
Fala pelas Maçanetas

***
Agrale Amarelo-Gualdo [Gralha
à Diesel pra meia-Dúzia
de Toneladas] por um
Tiriricado Tipo “sem Tirar
nem Por” (Cabeleira
Pra Lá — ou pra cá — de amarela
clara sob claro
Chapéu de Palha) é Chofereado

(Poemas de Fabrício Slaviero)