domingo, 24 de outubro de 2010

SARAU DO LABORATÓRIO (XXVII)

Monologo
Cortejo de Baco
OH! Divino Baco,
as Ninfas se preparam para o cortejo da vossa festa,
estarão presentes todas as bacantes.
uvas em cascatas, e néctar trasbordará da ânfora,
e escorrerá para tua boca divinal.
sol, terra,heras trepadeiras, para o vosso
divino deleite,
deuses e mortais brindam,
e no monte Olimpo, o arrebol sobre as planície,
marturia as purificações sagradas a Cibele,
Evoé,Evoé
Divino Baco, os deuses estão ávidos pelo necta sensual
Até o orgasmo da sagração,que jorrará a seiva da vida,
transcendendo a eternidade
na renovação fecunda.
(Poema de Doroty Dimolitsas)
Fim

domingo, 17 de outubro de 2010

SARAU DO LABORATÓRIO (XXVI)

BRISURAS DA CIVILIZAÇÃO

Há um campo de símbolo
de um rubro tecido
que urdido em trama
revive os dias idos,
rutura e juntura,
acrescido de estilo.

Há um campo onde o lema
é lisonja e bravura,
e no emblema é o tema
do cortejo em flanco:
leão, cruz, águia e flor-de-lis
são crivo do clã
de estampa em matiz.

Há um campo de timbre
em cota de malha;
vida e morte
da brisura em marcha;
logotipo coletivo
na linha do tempo,
Coca - Cola
é grifo em grife.

(Poema de Maria Celia Abila)

MATIZES

O espectro solar das cores,
somado à lingotes de ouro:
derretido,
mais o conjunto das pedrarias:
liquefeitas,
não alcançam uma centelha
dos multivariados tons
que o manto da fantasia,
lança em profusão de letras.

(Poema de Celso Vegro)

domingo, 26 de setembro de 2010

SARAU DO LABORATÓRIO (XXV)

1/2m
de meia-cana de
Canafrista
para semi-
(em 180 graus?)
circularmente os
Sons [à Cumaru-
Ferro já forrados]
do seu Sprech
Gesang [Canto
Falado] (quanto às
alturas durações
intensidades
und timbres) e-
moldurar

(Poema de Fabrício Slaviero)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

GALERIA: PO CHU I


SARAU DO LABORATÓRIO (XXIV)

THE SOUL KEEPER

No vórtice
varrendo as horas
do fundo do poço
um abismo sem dono
disfarça o escuro,
descasca dos muros
os musgos
que crescem ao roer da alma.

A dor disseca profunda,
bisturi de pulsantes vertigens.

O amor:
estende-se, (entende-se)
aprende-se (enlaça)
vasculha e decepa
o fundo do oco bolor.

A mão que erige, molda
a vida
a argila
a pulsar
subterrânea
(no fundo vazio dos vórtices da alma).

(Poema de Francesca Cricelli)

GALERIA: SEVERO SARDUY


terça-feira, 14 de setembro de 2010

SARAU DO LABORATÓRIO (XXIII)

GOLPES DE CRIS

espectro do fogo marcando o foco
foco em tempo a vida esconsa de escombros
temo o fardo, farto e fraco de dores
cavo mudo o foco a golpes de cris

escavo os porões do sepulcro branco
ruído acuado pesa sobre meus ombros
no peito a veia cava não se estanca
carne, pele e pelo a golpes de cris

desloco-me arco no vácuo sem trégua
bato na cava de porta entreaberta
meu carma cardo alcança o licor travo
abro gole e gole a golpes de cris

acordo num cavo acorde de cravo
vibrando no aroma da cava, e cauto
creio, que a vida só curva-se à cova
corto o cardo a curtos golpes de cris.

(Poema de Maria Alice de Vasconcelos)