terça-feira, 18 de outubro de 2016

CARRANCAS




com as sacas do ano, o medo
refaz seu curso em modorra.
já sem justeza, desova.

um anjo senhor da terra
vê e volca aquela cria;
mais de um brâmane cochicha.

a insônia com seu arquivo
não poupa um só ruído;
doge moço coça a pálpebra

ofertando morte-almíscar.
o abate o cervo ferve:
ira até roça, mordisca.

- onde as ventas, tosco dente
quente cólera e cabeça
que nos salvem destas bestas?

Poema de Caio Graco Maia 

ESBOÇO DE DANÇARINA




I
dança do ventre
alquimia da matéria
frágeis laços que se atam
agasalhados nas estrelas
braço de constelação
luzes de vagalumes
esboço de poema
nudez conjugada em verbos

II

palavras cuspidas em pedras
n’algum ponto do horizonte
debruço-me rascunhos
perco-me no avesso de mim.

CAMALEÃO

Como expor-me a ti
com tantos defeitos
tantas inquietudes
tantos desajustes.
Do nascente ao poente
me isolo, me afasto
tomo outra cor
— sou camaleão.


Poemas de Yara Darin

NERVOS REVISITADOS



Amiúde se faz o corte.
No tempo da fala
a faca despeja o lanho
e espera o último peso
para ensacar a memória.
Nos dedos,
o sangue pisado das vendas
acaricia as carnes.
A feira leva um dia,
mas a cena sangra
só algumas horas.

Poema de Katia Marchese

para Carlos Araújo






...às asas, pássaro!
Rumino o encargo.

Ligadura de voo,
tua glosa agreste
bem se quis. Aqui,

luziu suas
leis duras,

buscou um
canto, uma

quina.
Afeita ao

corte,
foi penúria
e sal essa

Língua.


Um poema de Guilherme Delgado

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

















Na chuva conto
As estrelas da lua
E entro no mar


Na tempestade
Derrubando árvores
Cigarras cantam...
 
Poemas de Hélio Cherubini 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015


















Chuva na gaiola
Aliviando um pouco
A dor do passarinho

Como a mãe pássaro
Ensinando aos filhotes
O primeiro voo

O céu carregado
Alma aquecida
Pela chuva de verão

(Poemas de Hélio Cherubini) 

Foto de Laura Meyers












chuva de verão
batuque no telhado
chão de granizo
  
chuva de verão
o ônibus lotado
vidro embaçado

chuva de verão
a gravata a forca
algodão molhado

(Poemas de André Braga)