segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

















Na chuva conto
As estrelas da lua
E entro no mar


Na tempestade
Derrubando árvores
Cigarras cantam...
 
Poemas de Hélio Cherubini 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015


















Chuva na gaiola
Aliviando um pouco
A dor do passarinho

Como a mãe pássaro
Ensinando aos filhotes
O primeiro voo

O céu carregado
Alma aquecida
Pela chuva de verão

(Poemas de Hélio Cherubini) 

Foto de Laura Meyers












chuva de verão
batuque no telhado
chão de granizo
  
chuva de verão
o ônibus lotado
vidro embaçado

chuva de verão
a gravata a forca
algodão molhado

(Poemas de André Braga)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Red Rocks



















XI -    estrutura indiscreta
         no deserto de chamas

XII -   passagem de fendas
         no inabalável ressoar
         acústico de abismos

XIII -  forma fragmentária
         que vicia e anestesia
         espalhando entre os dedos
         cristais, resíduos

XIV -  despropósito esforço
         de mecanismos anatômicos
         para atingir a supremacia

XV -   vermelha e desentranhada
         absorve com calma
         a voz emudecida
         no delírio da ascensão

XVI -  desordem de nervos
         regletando no improviso
         de faces cortantes

XVII - adere ousada
         expele revoluta
         a hesitação

XVIII -sequências cadenciadas
         saudando o desígnio

XIX - fantasia, miragem
        indolente contraposição

XX -  da verdadeira imagem
        inundada de calcário e arenito
        paraíso ao pico, redenção

(Poema de Marcela C. Gallic)
(Foto de Super Dave)

Épura





















À Hilda Hilst

íris de ouro
que se projeta

em cristal líquido

girassol de esporas 
na retina do tempo

termômetro em fúria

solário 
em ebulição  

tempestade 
cobre o olho coral 
trava o relógio do sol
no despertar da tarde

dorme o rei em migas
por fás ou por nefas
madre sola em largos silvos
dorme o rei...

cerram-se as cortinas 
em impromptu

épura em descanso 
"toma corpo no todo"

revigora


(Poema de Maria Alice de Vasconcelos) 

domingo, 30 de março de 2014

Sonho 1





















um sonho num corpo
nu que se contorce

à beira do abismo
a besta invisível

só mão e chicote
escarna-me o corpo

visão quase lógica
em mão e chicote

da beira e do alívio
na besta do abismo

que não se contorce
meu corpo que rola

nu em desespero
caindo em mim mesmo

me vendo cair
do fundo do abismo

e me desespero
no fundo em mim mesmo

caindo em sorrisos
da besta do alívio

me vendo me ver
caindo no eterno

caindo do inferno
caindo no inferno


(Poema de Luiz Ariston)
















O manto da noite
É um peixe solúvel,

Um chicotear 
Da madrugada

Arde e explode
Com o sereno da manhã.

(Poema de Dora Dimolitsas)
Foto: Marcela C. Gallic